Eat Me de Lygia Pape

A Stiftung Buchkunst seleciona os livros mais belos e inovadores e, todos os anos, inúmeras publicações concorrem aos cobiçados prêmios. Ao todo, 25 livros são premiados — 5 em cada categoria.

O catálogo que acompanha a exposição de Lygia Pape documenta seu papel no desenvolvimento da arte moderna brasileira. A alternância de capítulos como “Ensaios”, “Obras” e “Arquivo” constitui um amplo corpus, que culmina em uma série de fotografias capazes de transmitir impressões espaciais da apresentação nas salas expositivas. Pape se interessava por muito mais do que sua própria versão das vanguardas europeias, como demonstra, por exemplo, a obra *Livro da Criação*. O *Livro da Criação* vai além de uma simples abstração geométrica, assumindo um caráter lúdico e poético. O *Manifesto Neoconcreto*, que ela coassinou em 1959, critica métodos puramente formais e racionais, citando como exemplo a Escola de Ulm (HfG Ulm).

Linhas finas em azul, vermelho e amarelo são perceptíveis no corte lateral de três páginas do catálogo. Ao abri-lo, revela-se uma área inteira de cor. Esse recurso tem uma função — sinalizar a alternância entre os capítulos —, mas, sobretudo, cria uma atmosfera alegre e luminosa.

O motivo da capa mostra como o repertório da artista se expandiu durante as décadas da ditadura militar e como ela passou a intervir no espaço social. Na performance realizada em 1968, pessoas rastejavam sob um enorme lençol branco e colocavam a cabeça para fora por meio de aberturas. A borda de papel que atravessa a sobrecapa desperta curiosidade. Abas adicionais — a superior dobrada para fora e a inferior dobrada para dentro — ampliam o envelope. No conjunto, surge um objeto dobrável: em memória de Lygia Pape.



 

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