O catálogo que acompanha a exposição de Lygia Pape documenta seu papel fundamental no desenvolvimento da arte moderna brasileira. A alternância de capítulos como “Ensaios”, “Obras” e “Arquivo” constitui um amplo corpus, que culmina em uma sequência de fotografias capazes de transmitir impressões espaciais das salas expositivas.

Pape se interessava por muito mais do que sua própria versão das vanguardas europeias, como demonstram obras como *Livro da Criação*. A obra ultrapassa a mera abstração geométrica, assumindo um caráter lúdico e poético. O *Manifesto Neoconcreto*, que ela coassinou em 1959, critica métodos estritamente formais e racionais, citando como exemplo a Escola de Ulm (HfG Ulm).

Linhas finas em azul, vermelho e amarelo aparecem no corte lateral de três páginas do catálogo. Ao abri-lo, revela-se uma área inteira de cor. Embora esse recurso tenha uma função prática — sinalizar a mudança entre os capítulos —, ele também cria uma atmosfera alegre e luminosa.

A imagem da capa evidencia como o repertório da artista se expandiu ao longo das décadas da ditadura militar e como ela passou a intervir no espaço social. Na performance realizada em 1968, pessoas rastejavam sob um grande lençol branco, colocando a cabeça para fora por meio de aberturas. A borda de papel que atravessa a sobrecapa desperta curiosidade. Abas adicionais — a superior dobrada para fora e a inferior dobrada para dentro — ampliam o envelope. No conjunto, o catálogo se transforma em um objeto dobrável e escultórico: uma homenagem à memória de Lygia Pape.


COMPRE NA AMAZON